14.3.14

Zebrou ou não zebrou?

Esta 6ª edição da Bundtmania, cuja anfitriã é a querida Lia, do Lemon&Vanilla, está a fazer com que muita gente fique "zebra" para conseguir fazer um Bundt Cake Zebra, que é o tema desta edição. O que me pareceu ser tão simples, afinal não o é, e eu sou mais uma, das muitas cozinheiras, que participiram nesta edição, que precisou de fazer mais do que uma tentativa, para conseguir as tais risquinhas no interior do bolo, que lhe deram o nome.

A minha primeira tentativa parecia estar perfeita, mas quando fui a cortar a primeira fatia, em vez de zebra, estava marmoreado. O bolo, no entanto, estava maravilhoso, e portanto ficou guardado para partilhar noutra altura. No entanto, precisava de arranjar outra ideia, para fazer a tentativa número 2.  Imagens deles em miniatura começaram a ganhar raízes, e lá fui comprar umas formas de mini-bundts.

Para ter a certeza de que a massa ficaria com a consistência certa, resolvi seguir a receita mais conhecida da blogosfera, a do Bakers Royale, com umas pequenas alterações no sabor e com uma redução significativa das quantidades.




Mini-bundts zebra de limão e coco
Rendeu 10 unidades

80g de açúcar mascavado claro
75g de farinha com fermento
12g de cacau
1 colher de água
1 ovo
65g de manteiga
15g de leite de coco (fiz na bimby, ver receita abaixo)
1 colher de café de raspas de limão
1 pitada de sal

Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Untar muito bem com óleo as formas de mini-bundts de silicone.
Peneirar a farinha com o sal, e reservar.
Numa taça  misturar 2 colheres de sopa do açúcar, com a água e o cacau, até ficar uma mistura suave e uniforme. Reservar.
Colocar a manteiga derretida com o restante açúcar numa taça e bater bem durante 1 minuto.
Juntar as raspas de limão e misturar.
Adicionar o ovo e bater durante uns 2 minutos, até a mistura ficar clara e fofa.
Com a batedeira em velocidade baixa, juntar a farinha em 3 adições, alternadamente com o leite de coco, começando e terminando pela farinha, e apenas até ficar tudo incorporado.
Retirar aproximadamente 1/3 da massa para outra taça e envolver a mistura do cacau na massa.
As massas têm que estar mais líquidas do que o costume, pelo que se for necessário, juntar mais um pouco de leite de coco e envolver.
Com uma colher de café colocar um pouco de massa clara numa das forminhas, e depois uma de cacau mesmo no centro da massa clara, e assim sucessivamente.
Como cada forma é muito pequenina, não é necessário mais do que 5 colheres de massa ao todo, para encher cada forminha. É necessário bater com a forminha na banca, para ajudar a massa a espalhar-se pelo resto da forma.
Levar ao forno durante 20 minutos, ou até passar no teste do palito.
Retirar e deixar arrefecer numa rede durante uns 30 minutos, antes de desenformar.

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Leite de Coco na bimby:
Colocar no copo 200g de água + 35g de coco ralado: 8 min+100º+vel 4, e depois 30seg + vel 8.
Usando um coador de rede fino, coar o leite para um recipiente, fazendo pressão com uma colher para retirar todo o líquido.
A polpa pode ser usada em batidos, bolos, etc. Eu usei a minha para fazer granola.

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E o resultado, zebrou ou não zebrou?


Tenho que dizer, que estava em pulgas para cortar o primeiro e ver se tinha tido sorte ou não. Assim que vi as risquinhas, fiquei tão contente que saltitei pela casa, a cantar "Zebrou, zebrou, zebrou!". Ver a cara de espanto dos homens da casa a olharem para mim, só me deu mais vontade de rir, e lá os arrastei para a cozinhar para eles verem do que é que estava a falar.


E será que todos ficaram zebrados? Esta pergunta não me saía da cabeça, enquanto tirava as primeiras fotografias, portanto seguiu-se o ataque da faca...















Tenho que avisar que fazer estes mini-bundts zebra requer uma paciência extra, e confesso que quando comecei a fazer o primeiro é que me apercebi no que me meti. Mas no final, ver estas risquinhas foi a melhor recompensa, seguido claro, do bom momento que foi saborear uma destas deliciosas miniaturas.


Espero que as meninas Lia e Mena gostem das minhas zebrinhas. Apesar de ter sido um desafio que me causou mais emoções do que estava à espera, isso até o tornou mais divertido!

10.3.14

Caracóis, mas dos docinhos!

A vontade de fazer esta receita surgiu após folhear os meus últimos livros de culinária, e culminou ao visitar a Lia do Lemon&Vanilla, e ver estas delícias que ela fez, e que me deixou a sonhar, literalmente, com este tipo de caracóis! Sim, que caracóis do género, animal rastejante, prefiro guardar distância, e no prato, nem pensar...isso teria mais contornos de pesadelo, do que de sonho!





Caracóis de avelãs e chocolate
Adaptado do livro "Home, Sweet Home" - The Hummingbird bakery

Massa:
300g/ml de leite
85g de manteiga
30g de açúcar amarelo
1 colher de sobremesa de sal
500g de farinha T65
25g de fermento de padeiro

Recheio:
50g de manteiga derretida
100g de açúcar (usei açúcar mascavado claro)
100g de avelãs picadas
100g de chocolate partido aos pedacinhos
25g de cacau em pó

Cobertura:
2 colheres de sopa de creme de avelãs, tipo nutella
1 colher de sopa de leite
1 ovo batido, para pincelar

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Máquina do pão (MFP):
Aquecer uns segundos no micro-ondas o leite para ficar ligeiramente morno, e a manteiga para ficar amolecida.
Colocar os ingredientes na cuba pela ordem indicada. Desfazer o fermento de padeiro com a ponta dos dedos, na farinha.
Correr o ciclo de amassa e leveda, na minha máquina demora 1h20.

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Bimby:
Colocar no copo o leite, a manteiga, o açúcar e o sal: 2 min + 37ºC + vel 1.
Juntar a farinha e desfazer o fermento de padeiro com a ponta dos dedos, na farinha: 10seg + vel 6, seguido de 3 min + vel. espiga.
Retirar para uma tigela untada com azeite e formar uma bola. Tapar a tigela com película aderente e deixar levedar até dobrar de volume, aproximadamente 40 minutos.

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Tradicional:
Numa taça pequena misturar o leite morno, o açúcar e o fermento. Mexer bem, e deixar activar até ficar com espuma, mais ou menos 20 minutos.
Numa taça grande, peneirar a farinha com o sal. Cortar a manteiga aos cubos e juntar à farinha, misturando com a ponta dos dedos, até ficar com uma tipo areia. Fazer uma cova no meio, e adicionar a mistura do leite. Usando uma colher, juntar a mistura até formar uma massa.
Colocar a massa numa superfície polvilhada com farinha, e amassar bem com as mãos, até ficar uma massa macia e suave.
Formar uma bola e colocar numa tigela untada com azeite. Tapar com película aderente e deixar levedar até dobrar de volume, aproximadamente 40 minutos.

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Forrar um tabuleiro com papel vegetal.
Assim que a massa tenha dobrado de volume, empurrá-la para o fundo da tigela e virá-la para uma superfície polvilhada com farinha.
Amassá-la uns 2 minutos, para retirar algum do ar, de modo a facilitar o processo de estendê-la num formato de rectângulo de 50x40cm.
Pincelar todo o rectângulo com a manteiga derretida.
Misturar o açúcar, o cacau e as avelãs, e polvilhar esta mistura por todo o rectângulo da massa.
Distribuir os pedaços de chocolate por toda a massa.
Enrolar a massa, como se fosse uma torta, obtendo um rolo longo.
Com uma faca bem afiada, cortar o rolo em 16-18 fatias, e colocá-las deitadas no tabuleiro reservado.
Tapar com um pano, e deixar levedar aproximadamente 30 minutos, num sítio ameno.
Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Passados os 30 minutos, pincelar os rolos com o ovo batido e levar ao forno durante 20 minutos, até ficarem dourados.
Retirar e deixar arrefecer numa rede.


Para a cobertura, aquecer no fogão ou no mico-ondas, a nutella com o leite, até ficar um creme com uma consistência mais líquida e mais fácil de espalhar. Se necessário, adicionar mais leite.



Estes rolinhos são melhores no dia em que são feitos, já que no dia seguinte a massa já não é tão fofinha. Nada que tenha impedido, os gulosos da casa, de acabarem com os que restavam!




4.3.14

Chocolate e caramelo para o pai

A minha última aquisição em livros de culinária chegou no dia dos namorados, e embora a prenda tenha sido comprada por mim para mim (eu mimo-me de vez em quando!), o entusiasmo foi tanto enquanto abria a caixa que o dia ficou ainda mais especial!




Depois de um namoro intenso com todos os livros, a primeira receita a ser escolhida foi para comemorar uma data muito importante, o aniversário do meu querido pai! 
A indecisão era enorme...havia tantas receitas que estava desejosa de fazer, que nem o pim, pam, pum ajudava, pelo que optei por uma abordagem mais adulta, e usei a despensa como instrumento de decisão. Depois de analisar as receitas cujos ingredientes eu já tinha em casa, a lista reduziu-se consideravelmente. Em seguida fui verificar os ingredientes que estavam mais próximos do final do prazo de consumo, e foi assim que uma lata de leite condensado cozido ditou a minha escolha. Saí um bolo de chocolate e caramelo da Rachel Allen....




Bolo de camadas de chocolate e caramelo
adaptado do livro CAKE de Rachel Allen

300g de manteiga à temperatura ambiente
300g de açúcar (usei 100g de açúcar branco no bolo branco, 100g de açúcar amarelo no bolo de chocolate e 100g de açúcar amarelo no bolo caramelo)
6 ovos
1 e 1/2 de sopa de extracto de baunilha
300 de farinha com fermento
2 colheres de sopa de fermento
397g (1 lata) de leite condensado cozido 
2 colheres de sopa de cacau em pó

Cobertura
350g de chocolate 
200ml de natas
1 pitada de sal

Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Untar 3 formas de 20 cm de diâmetro com manteiga, forrar o fundo com papel vegetal e untá-lo também. 
Numa taça grande, bater bem a manteiga até ficar suave. Juntar o açúcar e bater até a mistura ficar clara e fofa.
Bater os ovos com o extracto de baunilha numa taça à parte e adicionar à mistura da manteiga e açúcar, gradualmente, batendo sempre, até combinar. 
Peneirar a farinha em conjunto com o fermento, por cima da massa e envolver tudo suavemente.
Colocar 1/3 da massa numa das formas preparadas.
Dividir os restantes 2/3 da massa por 2 taças.
Numa taça juntar 4 colheres de sopa de leite condensado e misturar. Verter a massa para uma das formas preparadas.
Na última taça, peneirar o cacau, envolver bem e colocar a massa na última forma preparada.
Colocar as formas no forno pré-aquecido e deixar cozer durante 25 a 30 minutos ou até passar no teste do palito.
Retirar do forno e deixar arrefecer numa rede durante 10 minutos, antes de desenformar.
Enquanto os bolos arrefecem completamente, preparar a cobertura.
Partir o chocolate aos pedacinhos, juntar as natas e o sal, e levar a derreter em banho-maria ou no micro-ondas, mexendo bem de 15 em 15 segundos para não deixar queimar, até a mistura ficar lisa, homogénea e brilhante. Deixar arrefecer até ficar com uma consistência menos líquida e mais tipo pomada, e que seja mais fácil de aplicar.



Para montar o bolo, colocar o bolo de caramelo no prato de servir. 
Bater um pouco o restante leite condensado cozido para torná-lo mais suave para aplicar.
Espalhar metade do leite condensado por cima do bolo.
Colocar o bolo de chocolate por cima e espalhar o restante leite condensado.
Finalmente colocar o último bolo claro, no topo.

Aplicar a cobertura de chocolate, usando uma espátula de metal mergulhada em água quente para uma acabamento mais suave.
Usei amêndoa tostada ralada grosseiramente para decorar.



Como eu só tinha 1 forma de 20cm, dividi os ingredientes por 3 e fiz um bolo de cada vez. E como a minha balança resolveu tirar férias nesse dia, as quantidades não foram tão exactas quanto isso, e é por essa razão que os meus bolos não ficaram todos com o mesmo tamanho. 
Como o meu pai tem de ter cuidado com o açúcar no sangue, usei chocolate semi-amargo na cobertura, mas na receita original, o chocolate indicado é chocolate de leite com 150ml de natas, o que talvez torne o bolo ainda mais irresistível.




Nas festas, consigo ficar ainda mais distraída do que o costume, e por pouco, esquecia-me de tirar uma foto do interior, mas ainda fui a tempo.





24.2.14

Bolachas de chocolate e abacate?!?

Eu gosto muito de fazer bolachas. O problema é que também gosto muito de comê-las. E caso eu faça algumas durante a semana é certo e sabido, que a maior parte delas serão devoradas pela menina da casa, eu! Com o intuito de participar no desafio da Manuela do "Vamos fazer bolachas" de Fevereiro planeava fazer umas bolachas durante um dos fins de semana do mês e partilhar com o resto da família ("dividir o mal pelas aldeias" é sempre mais saudável!), mas plano furado e chego a um dia do final do desafio e nenhuma bolacha feita!

Para não ficar com peso na consciência e noutras partes do corpo, decidi que faria umas bolachas saudáveis, e ao olhar para um abacate quase a passar de prazo de consumo na fruteira, pensei, será muito absurdo fazer bolachas de abacate?! Pesquisa no google e....imensas!!! Chocolate e abacate, pareceu-me bem, sem manteiga e açúcar, ainda melhor. E aqui estão elas, acabadas de sair do forno e já bem (a)provadas por mim!


   

Bolachas de chocolate a abacate
adaptada daqui

1/2 chávena de abacate
1/4 chávena de óleo de coco à temperatura ambiente
1/2 chávena de xarope de agave
1 ovo
1 e 1/2 chávena de farinha de espelta integral
1/4 chávena de cacau em pó
1/2 colher de sopa de baunilha em pó
1 colher de sopa de fermento em pó
1/2 colher de sopa de bicarbonato de sódio
1/2 colher de sopa de canela
1/4 colher de sopa de cravinho em pó
1/4 colher de sopa de sal 
1/2 chávena de pepitas de chocolate ou chocolate cortado aos pedacinhos

Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Forrar um tabuleiro de forno com papel vegetal. Reservar.

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Bimby:
Colocar a borboleta no copo e adicionar o abacate, o óleo de coco e o xarope de agave: 1,30 min + vel 4.
Baixar os resíduos com a espátula.
Juntar o ovo e a baunilha: 1 min + vel 4. 
Numa tigela misturar os ingredientes secos, excepto as pepitas de chocolate.
Peneirar a mistura dos secos para dentro do copo da bimby: 1 min + vel 3.
Retirar a borboleta, juntar as pepitas e envolver com a espátula.

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Tradicional:
Bater com a batedeira durante 2 a 3 minutos a polpa do abacate, o óleo de coco e o xarope de agave até ficar uma mistura cremosa e homogénea.
Adicionar o ovo e a baunilha e bater até ficar bem combinado.
Numa tigela misturar os ingredientes secos, excepto as pepitas de chocolate.
Adicionar a mistura dos secos à mistura do abacate, e bater apenas até ficar tudo incorporado.
Envolver as pepitas de chocolate.

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Com uma colher colocar porções pequenas de massa bem espaçadas no tabuleiro.
Levar ao forno durante 9 a 10 minutos.  
Retirar e deixar arrefecer completamente numa rede.
  



Estas bolachas cuja textura fazem lembrar uns mini-bolinhos, têm um sabor intenso a chocolate, com um pequeno travo amargo dado pelo cacau e pelas pepitas de chocolate semi-amargas que usei. Se gostam de bolachas bem doces, aconselho a aumentar o xarope de agave para 2/3 de chávena ou usar pepitas de chocolate de leite. Para mim, ficaram mesmo no ponto, tanto que naquele pratinho já só restam migalhas!

18.2.14

Uma massa de atum, que até gato quer!

Este post deveria ter sido publicado ontem, mas por pouco, nem hoje! É que ontem, foi o Dia Mundial do Gato (coisas que aprendemos ao ouvir rádio), ocasião perfeita para apresentar o outro membro da família, a Pipa, a nossa muito independente e teimosa gata. 



A Pipa não faz parte daquele grupo de gatos que procuram constantemente mimo e colo, pelo contrário, quando assim o pretende, é por períodos muito curtos e com uma atitude de "estou aqui agora, por isso larga lá o livro ou o computador e trata-me como deve ser"! E o acto de dar mimo tem que ser de acordo com os seus exigentes padrões, ou ela não se coíbe, e dá-nos logo a entender, com uma mordidela ou simplesmente saltando fora, o mau "trabalho" que estamos a fazer. É uma autêntica diva, e esse, sim, teria sido um nome bem mais adequado a ela.  

Um dia destes, apanhei-a em flagrante junto do fogão a cheirar o jantar, coisa mesmo rara pois ela já percebeu que o balcão da cozinha é território interdito e só meu! O seu nome saiu da minha boca num volume bem elevado, pois ela tratou de desaparecer num instante, rápida como um raio. Mas eu percebo, Pipa, difícil resistir a um prato destes! Simples e delicioso.






Esparguete picante de atum e espinafres 
retirado daqui

300g de massa esparguete
1 malagueta vermelha tipo "chilli"
1 dente de alho grande
1 fio de azeite
3 latas de atum ao natural
3 chávenas de espinafres frescos
Sal e pimenta q.b.
queijo parmesão ralado q.b.

Cozer a massa em água a ferver, temperada com sal.
Picar o alho e cortar a malagueta em tiras finas.
Saltear o alho e a malagueta num fio de azeite numa frigideira grande.
Acrescentar o atum escorrido e os espinafres deixando-os murchar.
Temperar com um pouco de sal e pimenta.
Assim que a massa estiver cozida, escorrer a água da cozedura, guardando pelo menos uma concha da mesma.
Juntar a massa à frigideira e envolver para que tome gosto.
Juntar uma concha de água de cozedura e deixar apurar mais uns minutos.
Servir de imediato.
Polvilhar com queijo parmesão ralado a gosto.




Podem fazer com massa esparguete integral ou usar outro tipo de massa longa. Esta é daquelas refeições que demora o tempo de cozer a massa, nem 20 minutos e temos comida na mesa. Além de rápida, é tão saborosa, que tornou-se numa das minhas massas preferidas.



14.2.14

O amor está no ar...

Vai fazer 20 anos que conheci o "tal", o amor da minha vida, com o qual tenho a felicidade de partilhar os bons e os maus momentos com que ela nos surpreende. Como é que aconteceu? É uma história para outro dia...

Hoje é dia de S. Valentim (quem é que ainda não notou?), e embora não seja um dia em que troquemos prendas, é mais uma oportunidade para demonstrar amor, de um modo que me define um pouco, cozinhando. Por isso, faz-se um bolo para partilhar a dois, e namorar.




Bundt com framboesas e recheio cremoso
inspirado neste bolo

Creme:
30g de farinha maisena
60g de açúcar
250 ml de leite
1 casca de limão
40g de manteiga ou margarina

Massa do bolo:
200g de manteiga ou margarina à temperatura ambiente
130g de açúcar mascavado claro
3 ovos
125 ml de buttermilk *
210g de farinha
20g de farinha maisena
1 colher de sobremesa de fermento em pó
1/2 chávena de framboesas congeladas

Cobertura:
1 dl de natas
100g de chocolate
10 framboesas congeladas

*para fazer o buttermilk, medir 125 ml de leite e juntar 1 colher de sopa de vinagre ou sumo de limão, deixar repousar cerca de 10 minutos, antes de usar.

Para fazer o creme, misturar a farinha maisena com o açúcar, e juntar o leite, mexendo sempre com uma vara de arames até dissolver.
Juntar a casca de limão e levar ao micro-ondas durante 2 a 3 minutos na potência máxima, mexendo de 30 em 30 segundos até engrossar. Adicionar a manteiga e mexer até derreter completamente. Retirar a casca de limão e reservar.

Para o bolo, pré-aquecer o forno a 180ºC.
Untar muito bem com manteiga uma forma de bundt. Polvilhar com farinha e sacudir o excesso. Reservar.
Misturar a farinha, a maisena e o fermento. Reservar.
Bater a manteiga com o açúcar, durante 2 a 3 minutos, até obter um creme liso e esbranquiçado.
Juntar os ovos, um a um, batendo bem entre as adições.
Adicionar a mistura da farinha em 3 adições, alternando com o buttermilk. Começar e terminar pela farinha.
Bater até ficar tudo incorporado.
Espalhar metade da massa na forma reservada.
Espalhar o creme reservado por cima da massa com uma colher, evitando que o creme fique junto das bordas da forma.
Distribuir as framboesas por cima do creme.
Cobrir tudo com a restante massa.
Levar ao forno durante cerca de 50 minutos, até que passe no teste do palito.
Retirar e deixar arrefecer pelo menos 30 minutos numa rede.
Dar pequenas pancadas na forma para soltar o bolo e desenformar com cuidado o bolo no prato de servir.

Para a cobertura, levar o chocolate com as natas ao micro-ondas durante 1 minuto, mexendo bem de 15 em 15 segundos até o chocolate ficar derretido e a mistura homógenea. Repetir, se necessário, uma vez que o tempo, varia de micro-ondas para micro-ondas. Misturar as framboesas e mexer, até elas se desfazerem um pouco.

Regar o bolo com uma parte do molho, e servir o restante à parte.



E com este bolo participo na 5ª edição da Bundtmania que decorre aqui, num dos sítios do costume, e cujo tema é o São Valentim, pois claro! E para terminar fica um excerto do poema As Sem Razões do Amor, de Carlos Drummond de Andrade.

Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amor porque não amo
bastante ou de mais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem ( e matam)
a cada instante de amor.




8.2.14

Muitas claras no congelador?

Durante anos as minhas tias ganharam o hábito de deitar fora todas as claras que sobravam dos doces natalícios. Tendo em conta as quantidades quase industriais de leite-creme confeccionado na minha família durante essa quadra, podem ver que a quantidade de claras que ia parar ao lixo era bem substancial! Quando comecei a interessar-me mais pela arte de cozinhar, esse desperdício foi um dos hábitos que eu pedi para corrigir. Portanto, desde há um par de anos para cá, elas congelam as claras num saco, que mais cedo ou mais tarde, acaba por vir parar às minhas mãos para lhes dar um destino mais agradável.

O engraçado é que eu nunca sei qual a quantidade de claras que está em cada saco que me é oferecido, pelo que só depois de estarem completamente descongeladas, é que eu posso pesá-las e descobrir o número das mesmas. Eis-me então, a precisar de 8 claras para um bolo, e a descobrir que afinal tinha nada mais, nada menos do que umas 19. Um problema? Certamente que não, mas sim a oportunidade perfeita para fazer uma sobremesa muito apreciada por vários elementos da família, um molotof de caramelo. 

Uma delícia com uma consistência tão leve, que se desfaz na boca. Difícil mesmo, é a resolução de se ficar só por um pedacinho, mal nos damos conta e já devoramos uma fatia e ainda assim, soube-nos a pouco!




Molotof de caramelo

11 claras
11 colheres de sopa rasas de açúcar
400g de caramelo líquido

Ligar o forno a 180ºC.
Bater as claras em castelo.
Adicionar colher a colher de açúcar, batendo bem entre cada adição, até ficar bem firme.
Adicionar 1/3 do caramelo em fio, batendo sempre.
Untar muito bem, com o resto do caramelo, uma forma grande e lisa com buraco, tipo pão-de-ló.
Colocar a mistura das claras na forma, usando uma colher e acamando bem com as costas da mesma, de modo a que a mistura fique o mais uniforme possível.  
Levar ao forno pré-aquecido durante 11 minutos, desligar e deixar repousar no forno fechado durante pelo menos 30 minutos. O molotof irá crescer imenso, durante o tempo de repouso no forno desligado. 
Desenformar com cuidado, ainda morno.

Se usar menos claras, ajuste o número de colheres de açúcar e o tempo no forno, ao número de claras que pretender usar, por exemplo, se usar 8 claras, utilize 8 colheres de sopa e deixe cozer durante 8 minutos, mantendo depois o tempo de repouso que não deve ser diminuído. 
Nunca abrir a porta do forno, durante o tempo de cozedura e repouso, ou o molotof corre o risco de abater.